Perguntas Frequentes

É um problema de saúde que afeta, significativamente, a forma como uma pessoa pensa, se comporta e interage com outras pessoas.

A doença mental engloba diferentes diagnósticos, incluindo situações clínicas com maior ou menor gravidade. No entanto, todas elas têm em comum o sofrimento psíquico.

Sabemos que a doença mental afeta, não só, a pessoa, mas também, aqueles que se preocupam com o seu bem-estar, em especial os cuidadores. O impacto sobre estes pode variar, de acordo com a gravidade e evolução da doença, bem como, com as circunstâncias da vida das pessoas, dos seus familiares e amigos.

O termo doença mental tem, infelizmente, um sentido pejorativo, por ignorância e sentimento de ameaça e vulnerabilidade das pessoas. A imagem e conceito de doença são ainda associados a pessoas violentas, agressivas, incapazes, “tolinhas” ou que só cometem loucuras. Nada de mais errado. A doença mental é, atualmente, muito comum.

Existem inúmeras doenças mentais, cada uma com manifestações próprias.

No entanto, devemos estar atentos a alguns sinais ou sintomas:

– Presença de alucinações (sensação de uma experiência que não está a ocorrer na realidade)

– Presença de delírios (pensamentos estranhos que correspondem a crenças não reais)

– Tendência para isolamento e deficit no contacto familiar e social

– Apresentação de comportamentos estranhos, bizarros ou desadequados

– Alheamento sobre o que se passa em seu redor

– Discurso incoerente e /ou deficiente

– Tendência excessiva para desconfiar dos outros sem razão aparente

– Apresentação de um comportamento excessivamente rígido (sem adaptação às circunstâncias)

– Apresentação de rituais/repetições obsessivas de comportamentos (ex. lavagem de mãos, contagens, confirmações, entre outros)

– Perda de interesse e prazer nas atividades diárias

– Fadiga, diminuição de energia e falta de iniciativa

– Sentimentos de tristeza, vazio ou desesperança

– Sentimentos de culpabilidade e auto-desvalorização

– Ansiedade, Irritabilidade e/ou agitação

– Pessimismo, insegurança e medo

– Ideias de morte e tentativas de suicídio

– Comportamento hiperativo

– Humor eufórico e autoconfiança excessiva

– Manifestação de desinteresse pela vida

– Manifestação de preocupações excessivas e continuadas

– Alterações do sono, apetite e desejo sexual

– Alterações na atenção, concentração, memória e raciocínio

Perante a ocorrência de um ou vários sinais/sintomas mais graves deve-se procurar ajuda de um profissional de saúde. Alguns dos comportamentos citados podem ser normais e enquadrarem-se na capacidade de adaptação psicossocial à vida e às circunstâncias. No entanto, se forem continuados e persistentes, devem ser reportados a um profissional de saúde dos cuidados de saúde primários (Centro de Saúde / Unidade de Saúde Familiar)

É importante que o diagnóstico seja feito por um médico de saúde mental através de uma avaliação psiquiátrica (Adulto – Psiquiatra, Criança e Adolescente – Pedopsiquitra).

A doença mental, independentemente do seu diagnóstico, tem tratamento. Nalguns casos, com o tratamento, é possível reverter totalmente o quadro clínico. Noutras situações, de evolução crónica, apesar de não ser possível uma cura, é possível o controlo da doença.

O tratamento em ambulatório pode incluir medicação, intervenções psicoterapêuticas, e reabilitação psicossocial, sendo que a combinação destas intervenções favorece e potencia a recuperação.

A medicação visa o controlo dos sintomas, evitando recaídas quando tomados de acordo com a prescrição médica. As intervenções de âmbito psicoterapêutico ajudam a pessoa a lidar melhor com as suas dificuldades e doença, sendo que para casos mais graves a reabilitação psicossocial apoia no desenvolvimento de competências, permitindo melhor adaptação à vida e à sociedade. Em qualquer forma de tratamento, a intervenção pode ser dirigida a familiares (cuidadores), quer como forma de suporte à família, quer de forma mais estruturada, através da psicoeducação.

A adesão ao tratamento é fundamental para uma boa recuperação. No entanto, por vezes, existe abandono dos tratamentos. As principais causas relacionam-se com os efeitos secundários da medicação ou mesmo com o facto de a pessoa doente poder considerar que não está doente ou que não precisa de medicação ou de apoio. É importante dialogar com o médico de forma a que sejam encontradas as melhores respostas à pessoa em particular, evitando o abandono do tratamento e recaídas.

No contexto de um agravamento clínico, o tratamento em regime de internamento pode ser um recurso necessário com o objetivo de estabilização do quadro, promover a adesão ao tratamento e, por vezes, para própria proteção da pessoa.

A comunicação é essencial para o Ser Humano porque trata-se de um processo que faz do Homem aquilo que ele é, permitindo que ocorra a relação interpessoal, fundamental para o desenvolvimento e bom funcionamento psicológico e social das pessoas.

Em saúde mental, torna-se particularmente importante a dimensão da comunicação por ser um instrumento de trabalho de todos os que cuidam e por ser uma área de dificuldade da própria pessoa com doença mental.

A presença de doença mental interfere diretamente no processo de comunicação:

– Pela falta de disponibilidade que a pessoa doente apresenta para comunicar, 

– Pela dificuldade que tem na interpretação da mensagem e contextos

– Pela dificuldade em ser claro e fazer-se compreender

Por estas razões, é fundamental que a comunicação seja o mais eficaz possível, facilitando a relacionamento interpessoal.

  • Uma comunicação eficaz deve ser clara, assertiva, com linguagem simples, discurso pausado e calmo, com congruência entre a comunicação verbal e não verbal, numa escuta de forma atenta
  • A comunicação não verbal é extremamente importante pois, através dela, são transmitidas emoções e sinais de autenticidade, contribuindo para a confirmação e reforço da mensagem. Esta comunicação envolve as expressões faciais como o olhar e o sorriso, a postura corporal, os gestos, o toque, a voz, a forma como a pessoa se apresenta (roupa, adornos, aspecto geral) e o próprio silêncio. Devemos estar atentos a todos estes aspectos quando comunicamos, em especial com pessoas com doença mental pois existe uma hipersensibilidade aos aspetos não verbais da comunicação.
  • A comunicação assertiva caracteriza-se por ser uma comunicação em que se expressam sentimentos ou pensamentos sinceros, de forma a que se respeite o próprio e o outro. Ou seja, é um tipo de comunicação em que se evita quer a agressividade quer a passividade.